quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Redividir as Divisões da Bíblia muda muita coisa ou a Apresentação da Verdade pode resolver?

Graça, Paz e Alegria


Eu já ouvi muitas pessoas dizendo que a divisão do Antigo e do Novo Testamentos em nossas Bíblias está errada!

Certa vez, ouvi de um "pregador" que esse erro na divisão era a razão de muitos perderem a salvação! Quer dizer: pessoas se perderam ao longo da história por conta dessa divisão. Esse era o entendimento desse pregador ou a forma que ele usou para alertar da "gravidade" de tal "erro" nas divisões de Testamento.

Ouvi a defesa que para existir testamento é preciso ter morte, que sem morte não há testamento, para, com essa defesa, dar a entender que seria melhor dividido Antog e Novo Testamentos a partir da morte de Jesus.

Bom, vamos por partes:

1 - O testamento é lido depois da morte, mas é escrito com a pessoa viva. Não há testamento apenas se a pessoa morrer, mas só há testamento se a pessoa escrever o mesmo ainda viva! O testamento é lido e conhecido depois da morte, mas só pode existir se a pessoa o fizer em vida! Então, na prática, só há testamento se houver vida, e depois da morte, se conhece através da leitura do testamento deixado escrito em vida, qual era a vontade da pessoa. O testamento é a representação da vontade da pessoa para a distribuição de posses, entre outras coisas. Para que a pessoa expresse sua vontade, ela precisa ainda estar viva! Então, o testamento é lido depois da morte, mas a pessoa escreve enquanto ainda está viva... Para ter o testamento, a pessoa precisa estar viva para escrever... Para se ler e seguir essa vontade expressa no testamento, aí tem que acontecer a morte...

2 - Não acredito que pessoas perderam a salvação por viver algo ligado ao Antigo Testamento ainda expresso em páginas do que conhecemos como Novo Testamento, dependendo do que foi (importante essa ressalva e isso será apresentado mais a frente neste texto). Se houve sinceridade e seguiram o que era a representação da vontade de Deus (sinceridade, mas fazendo o errado, deixemos com o Senhor), sem deixar de aceitar a Jesus como Único e Suficiente salvador, se foram orientadas em detalhes que não mudam a santidade de forma equivocada, mas mantiveram a santidade, entendo que quem tomará essa decisão sobre salvação ou perdição é o Senhor (Romanos 6.15-23). Aliás, a decisão de salvação ou perdição não cabe a nós, por observações que podem ser enganosas aos olhos, mas apenas ao Senhor, e em qualquer caso (conferir Mateus 6 e 7.15-23 - muitos farão coisas que poderão até parecer certas, mas não serão reconhecidos pelo Senhor, que vê mais que a atitude externa: vê o coração);

3 - A chave para resolver a questão dos "judaísmos" e aspectos da "lei" presentes no cristianismo pregado e vivido por muitos está apenas e tão somente em dois textos, muito claros - João 1.1-13 e Atos dos Apóstolos 15. Os exageros dos judaísmos são retratados em Hebreus, mas esses textos aqui citados preliminarmente permitem uma explanção que acalma esse entendimento dos "judaísmos" mais do dia a dia no meio do cristianismo:

João 1.1-13 - Jesus, enquanto terminou de escrever o "Antigo" testamento, durante Seu ministério na terra, Verbo Encarnado, veio para os que eram seus. Por isso, Ele trata primeiramente com os seus, os judeus. E é claro que os aspectos judaizantes, da Lei, deveriam estar presentes. Mas quando os seus não o receberam, a todos quantos O receberam e ainda recebem, aos que creram e ainda creem no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, agora por Graça, pois Ele cumpriu a Lei e pagou o preço por nosso pecado, livrando-nos da condenação e da necessidade de observação da Lei para que pudéssemos ter a salvação.

Atos dos Apóstolos 15 - é a apresentação do primeiro Concílio, primeira Assembleia, Reunião "doutrinária" da Igreja que nascia, que agora não contava mais apenas com judeus convertidos, mas também gentios alcançados pela Palavra. Alguns entendiam que os gentios convertidos precisavam seguir os ritos que os judeus seguiam ao mesmo tempo que seguiam as recomendações do cristianismo que nascia. Outros entendiam que os gentios não deveriam ser obrigados a seguir os ritos judaicos. A reunião termina com uma decisão: aos gentios convertidos não deveria ser imposto os aspectos da Lei, a não ser 4 coisas:  se abstenham das contaminações dos (1) ídolos (aqui entra idolatria e alimentos consagrados - conferir Atos dos Apóstolos 15.29), da (2) prostituição (aspectos da vida), do que é (3) sufocado e do (4) sangue (aspetos da alimentação) - Atos dos Apóstolos 15.20. Qualquer outro aspecto da Lei não pode ser tido como certo ou errado se a pessoa seguir (não no tocante ao sacrifício para perdão de pecados, pois esse Jesus realizou o sacrifício suficiente - conferir Hebreus, ou nos aspectos da Lei que Jesus tratou diretamente durante Seu ministério), mas definitivamente não pode ser IMPOSTO, pois, naquele concílio de Atos dos Apóstolos 15, pareceu bem aos reunidos naquele momento e ao Espírito Santo (Atos dos Apóstolos 15.29) que não fosse obrigado aos novos convertidos vindos do mundo Gentio que seguissem aquelas regras que os judeus convertidos ainda seguiam (importante essa observação: os judeus convertidos ainda seguiam algumas das orientações da Lei, pois se assim não o fosse, não seria necessário discutir se isso seria ou não imposto também aos convertidos do mundo Gentio - Gentio era todo aquele que não era Judeu). Não foi uma decisão apenas dos apóstolos, mas direcionada pelo Espírito Santo! Se não houvesse confirmação, o próprio Espírito Santo teria mostrado no correr da história a não concordância Dele com isso...

Entendimento que temos:

a) Não dá para dividir os livros dos Evangelhos, fazendo com que o Antigo Testamento siga até o momento que cada Evangelho narra a Morte de Jesus e depois iniciar o Novo Testamento com os textos seguintes a esse evento. Os 4 livros dos Evangelistas terminariam e iniciariam, os "testamentos";

b) É preciso orientar que Jesus "terminou" de escrever o "Antigo" Testamento com Sua vida e morte, e que o "Novo" Testamento começa pra valer depois da morte de Jesus, mas que Ele terminou de escrever esse Testamento ao cumprir a vontade do Pai de anunciar a salvação aos seus (judeus) e que esses não o receberam (alguns receberam, afinal os discípulos eram judeus, mas não todos) e com isso, abriu-se a chance do Novo: os gentios podem receber a mensagem também. Quer dizer: judeus e gentios podem ser alcançados com a mensagem de salvação em Cristo Jesus;

c) Os primeiros cristãos, ainda judeus, VIVIAM os aspectos judaizantes que ainda chegam em nossos dias. Se não vivessem, não teriam que fazer uma reunião (Atos dos Apóstolos 15) para decidir se os gentios iam pelo mesmo caminho. E na reunião de Atos dos Apóstolos não aparece que os judeus cristãos deveriam deixar essas práticas, mas que aos gentios não seria imposto isso, a não ser a ressalva já apresentada no texto! Quer dizer: tirando as questões apresentadas diretamente por Jesus como diferentes (como divórcio,  por exemplo, entre outras recomendações - conferir os Evangelhos) e a necessidade do sacrifício para o perdão de pecados, os aspectos da Lei não eram errados para os judeus novos cristãos! Não precisam ser vividos, não se pode obrigar as pessoas a viverem, mas não é errado viver isso! Porque se fosse, a recomendação de Atos dos Apóstolos 15 seria para que todos deixassem essas práticas e não apenas que não seria imposto aos gentios convertidos... Não se obriga ninguém a viver! Mas não há erro a ponto de perder a salvação, desde que se tome cuidado com as observações diretas de Jesus sobre a Lei e com a questão do sacrifício (Hebreus). Alguns ainda podem entender que os judeus mesmo ainda precisam observar as coisas que ainda eram observadas pelos primeiros cristãos judeus, outros que não precisam, mas eu fico com o entendimento que não se pode impor como obrigação, desde que se viva a vontade do Senhor, mas se for vivido, como os primeiros cristãos judeus viviam, não há erro, porque se houvesse erro, a recomendação de Atos dos Apóstolos 15 não seria apenas para não impor aos gentios convertidos, mas seria que TODOS (gentios e judeus) deveriam deixar de vez aqueles aspectos ainda observados;

d) Jesus veio para os seus... falou com os seus... e por isso, há aspectos judaizantes em sua mensagem! E o cristianismo começa dentro do judaísmo. Por isso no começo, esse cristianismo é perseguido pelo próprio judaísmo, pois entendiam que era apenas uma "divisão" dentro do judaísmo e para o judaísmo "ortodoxo", seria heresia (conferir Atos dos Apóstolos). Mas os seus não O receberam! E quem O recebe, crê no Seu Nome, é alcançado com a Salvação que Nele há! Mas é preciso deixar claro que primeiro Jesus falou para os seus, para os judeus. Atos dos Apóstolos 15 faz essa "divisão" definitiva: é o momento que o cristianismo está começando a se assumir não mais como um "ramo" dentro do judaísmo, mas passando a ser o que era de fato, que seja, uma nova forma de fé, independente do judaísmo (mas partindo dele), mesmo que com judeus convertidos que ainda observavam ALGUNS dos aspectos da Lei, mas agora com gentios convertidos que viviam o cristianismo (mesmo assim, Paulo iniciava a pregação em suas viagens nas sinagogas e depois ia para outros lugares - conferir as viagens de Paulo e outros no livro de Atos dos Apóstolos), sem ter a obrigação de observar os aspectos judaizantes. Mas os primeiros cristãos ainda judeus observavam alguns desses aspectos (com as ressalvas apresentadas por Jesus e a questão do sacrifício - em Atos dos Apóstolos vemos Paulo fazendo as observações judaicas antes de sua prisão - Atos dos Apóstolos 21.26 - se fosse errado, ele não faria ou o texto deixaria claro que Paulo errou a fazer isso, mas não vemos tal no texto). E quando outros tantos judeus se "converteram", e queriam a observação de mais aspectos do judaísmo no cristianismo, ai o Senhor preparou o escritor da carta aos Hebreus para resolver essa questão dos aspectos que deveriam ser deixados...

Se a Verdade for anunciada, veremos que as pessoas não precisam se preocupar com os detalhes que não acrescentam e não mudam a santidade. Mas é fato que a Verdade deve ser anunciada, para não oprimir as pessoas! Muitas vezes, perdemos mais tempo com o que não muda a santidade e acabamos deixando de lado os aspectos que podem sim mudar a santidade! Esses "detalhes" que mudam a santidade é que precisam ser combatidos em oração, jejum e com estudo da Palavra, não com condenações! Mas o momento que começa ou termina um testamento não vai mudar a santidade, desde que a Verdade seja apresentada como ela é:

- os judeus viviam alguns dos aspectos da Lei mesmo depois de convertidos e chegaram ao entendimento que, apesar deles viverem esses alguns aspectos, aos gentios não deveria ser imposto tal - pareceu bem a eles e ao Espírito Santo que não era para impor aos gentios convertidos essa realidade de alguns aspectos da Lei ainda observados;

- em vez de nos preocuparmos em mudar a divisão dos textos, precisamos entender o CONTEXTO dos textos para anunciar a Verdade que liberta;

- precisamos nos preocupar com o que realmente altera a santidade, porque se viver alguns desses aspectos do judaísmo muda a santidade, o próprio Paulo foi alvo dessa mudança de santidade, o que não nos parece ser apresentado no texto Bíblico;

- o que não se pode é obrigar as pessoas a viverem esses aspectos, mas quem vive, pode viver, desde que não vá para o exagero de querer observar tudo, pois aí vamos para o texto de Hebreus que responde a esse exagero;

- não nos parece errado viver alguns desses aspectos, mas é errado impor aos outros essa observação! E é errado exagerar na observação de todos os aspectos, pois aí haveria uma anulação do que Jesus fez.

Forte Abraço!

Em Cristo,
Ricardo, pastor

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Depois de um tempão...

Graça, Paz e Alegria!


Já faz tempo que não apreço por aqui...

Ando cuidando da saúde. Por isso, ausente deste espaço.

Papai está cuidando de tudo. Não estou muito contente com a evolução (muito lenta), mas sei que Papai sabe do que é melhor.

Gostaria apenas de meditar sobre um assunto...

Tenho pensado, como pastor, sobre o quanto um pastor pode ser bem vindo ou não em uma comunidade. Não entendo que sempre que o pastor esteja presente deve ter "lugar de honra", ir sempre para o altar, ter destaque ou qualquer coisa assim. Entendo que um pastor pode ser bem vindo em uma comunidade mesmo que chegue, sente no último banco, não seja cumprimentado por ninguém, vá embora sem ser notado...

O ponto para saber se um pastor é bem vindo ou não em uma comunidade, entendo, é: se alguém sugerir que ele esteja no altar, que ele realmente possa ir para lá! Não quer dizer que tem que ir sempre, mas se existe a possibilidade de, havendo a sugestão, isso ser negado, ou mais ainda, havendo um pedido formal e isso for negado por qualquer motivo, é porque esse pastor não é bem vindo na comunidade...

Um pastor não precisa ter a "honra" de ir para o altar todas as vezes! Mas se em uma comunidade houver qualquer limitação para tal, é porque ele não é bem vindo naquele local... E um pastor que não poderá ir para o altar, não deve nem mesmo aparecer na comunidade, pois, ainda que esteja errado, alguém entende ter motivos para recusar sua presença no altar. E, para evitar que alguém tenha que explicar porque não permitiu, quer seja dizendo a verdade, quer seja dizendo qualquer coisa (e infelizmente, para evitar situações constrangedoras, muitos até mesmo mentem... não apenas dizem outro motivo, menos constrangedor, mas verdadeiro, mas dizem mentiras mesmo), é melhor que, por amor cristão, o pastor evite sua presença onde ele não é bem vindo.

Insisto: não é necessário que o pastor esteja sempre no altar, mas caso haja qualquer limitação para que isso possa acontecer (não é obrigação ir para o altar, mas se há limitações nesse sentido), quer dizer que, com razão ou não, alguém entende que o pastor não é bem vindo ao local. Pelo menos, entende que ele não pode ir para o altar e, se o pastor aparecer e for sugerido que ele vá para o altar, mas alguém entende que há limitação, para evitar tal constrangimento, para todas as partes, é melhor que o pastor vá a outro lugar onde, mesmo que não vá ao altar, não exista limitação, caso haja uma sugestão nesse sentido.

Sou pastor e prefiro agir assim. Prefiro ficar no último banco, sem ser notado, a correr o risco de não poder ir para o altar, caso haja qualquer sugestão nesse sentido. E onde sei que não poderei ir para o altar, prefiro não aparecer, para evitar que alguém tenha que explicar ou que tente se explicar diretamente para mim. Se não sou bem vindo no altar, vou a outro lugar, mesmo que seja para ficar no último banco, sem ser notado, mas onde não haja qualquer problema de ser chamado ao altar, caso isso aconteça...

É apenas uma meditação...


Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Não me venha com essa de Manipulação!

Graça, Paz e Alegria!


Examinai tudo. Retende o bem. 1 Tessalonicenses 5.21


Muito se fala sobre a Igreja manipular o pensamento das pessoas. Mas o que significa Manipular?


Verbo
ma.ni.pu.lar transitivo
Preparar com a mão;
Preparar (certos medicamentos) com vários símplices;
Engendrar, forjar;
Perverter, orientar;
Manobrar.

Substantivo
ma.ni.pu.lar masculino
Soldado romano que fazia parte de um manípulo.


Eu nem sabia que podia ser substantivo...

Se o significado adotado para a Igreja sobre "manobrar" for orientar, sem crise! Mas se for perverter, manobrar, forjar, temos que pensar bem no que se fala nesse sentido.

Não serei simplista em dizer que isso não ocorre! Infelizmente, não é possível negar tal.

Como não é possível negar que apenas exista a questão da orientação! Ambos ocorrem...

Mas se fala muito sobre a Igreja manipular nesse sentido de "manobrar". E se esquece que as pessoas podem avaliar o que quiserem e reter o que elas acharem que é bom. É o que diz o texto Bíblico que está lá em cima! Peraí: Texto Bíblico que orienta a conhecer tudo e reter o que é bom? Pois é...

Ninguém é obrigado a aceitar o que a Igreja diz! Como ninguém é obrigado a aceitar o que um Partido Político diz, como ninguém é obrigado a aceitar o que um Clube de Futebol diz... Vou ficar com essa "trindade" de assuntos que fazem parte daqueles que dizem que não podemos discutir (?). Podemos e devemos, com recomendação da Bíblia tão criticada por muitos, conhecer tudo para ter uma adequada decisão!

Não teria a mesma intenção de manipular a opinião das pessoas que acreditam nas coisas da Fé aqueles que dizem que a Igreja manipula? Insisto: absolutos não existem nesse caso! Nem há a ausência de manipulação, nem há apenas isso em todos os lugares! Mas ao dizer que a Igreja faz isso, quem diz também está tentando manipular a opinião das pessoas que não avaliam tudo e observam apenas os exemplos de manipulação de fato.

Agora, emitir opinião não é manipular! Em última instância, ninguém pode manipular ninguém, a não ser que a pessoa queira ser manipulada! Fala-se do que acredita, do que pensa, mas as pessoas só vão acreditar que é assim se elas quiserem! Porque se a Igreja manipula, todos os outros também manipulam, puxando "a sardinha para a sua brasa".

Sei que há os que não dão toda a informação... Mas as pessoas só aceitam isso como última palavra se quiserem! Podem buscar em outras fontes! Ou não? E mesmo que não consiga saber todas as possibilidades, pelo menos a pessoa tem que decidir em cima do que ela consegue e não apenas em cima do que um ou outro fala. Tem que buscar o máximo possível para avaliar, ainda que não consiga tudo, pelo menos decidir o melhor em cima do que conseguiu!

Conheça tudo, saiba as mais variadas posições, opiniões, possibilidades e guarde o que é bom. Eu conheci muita coisa, não me nego a conhecer, busco conhecimento, mas guardo o que eu acho que é bom. Tenho entendido que devo guardar a fé da forma como vejo nas páginas da Bíblia. E mesmo que um Bispo diga que a opinião deve ser diferente, procuro em oração e leitura, conversas e muito mais, chegar ao entendimento que está certo ou errado o que foi dito. Não é porque uma autoridade em matéria de Fé disse algo que tem que ser aceito como "Lei de Fé". Se essa autoridade falar algo que vá contra Deus, por exemplo (negá-lo - exemplo de Sadraque, Mesaque, Abdenego ou Daniel, que foram contra a autoridade política, foram condenados, mas por fazer o certo, para testemunho, foram salvos dessas punições), é possível ir contra uma autoridade, mas depois de avaliar se ela está indo contra Deus. Mas o que vejo confirmação nas páginas da Bíblia e na busca por interpretação, aceitamos! O que não vemos, dizemos do erro. E assim seguimos.

Mas ao dizer do erro quero manipular as pessoas a pensarem como eu? Pessoalmente não tenho essa vontade! Até porque conversando com outras pessoas posso abrir meu entendimento e ver algo que não tinha visto originalmente! Agora, aceitar apenas por aceitar, eu não posso. Preciso conhecer e guardar a minha opinião. Ainda que ela seja igual a de uma autoridade de Fé, ainda que seja igual ao que a Igreja pensa, ou que determinado partido político fala, eu guardo a minha opinião, depois de conhecer o máximo possível! Sei que posso não ter todas as informações, mas não aceito uma como a única certa! Mesmo que não tenha todas, pelo menos entre as que consigo, busco formar a minha opinião!

Em última instância, quem diz que a Igreja manipula, quer também manipular, contra a Igreja. Não quero entrar no mérito de quem está certo (até porque podemos ter casos em que um estará, em outros casos, o outro), mas generalizar é uma forma de manipulação. E, se for assim, os políticos que pedem nosso voto estão tentando manipular nossa opinião, para ganhar nossa confiança. Ainda que seja uma manipulação, temos que tomar a nossa decisão em cima do que temos de informação e buscar todas as possibilidades de informação, avaliar com inteligência e o mínimo de lógica cada situação. E, ao tomar a nossa decisão, ela tem que ter como base ao menos a informação que temos, mesmo que ela não seja completa. Não devemos errar por aceitar algo sem avaliar antes. Se não nos dão todas as informações para avaliarmos mais, errados estarão os que não nos dão essa informação completa. Nós, precisamos tomar a decisão como nossa em cima do que temos e ser sinceros com nossa consciência, ao menos!

Não aceite ser manipulado! Conheça as coisas da Fé, busque suas experiências pessoais. Cada pessoa que dá um testemunho teve a sua. Busque as suas! Seja edificado com a experiência dos outros, mas queira ter as suas, para que você possa ter a sua conclusão e não apenas aceitar o que dizem que é. Como foi com Jó:

Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Jó 42.5

Ele já vivia as coisas da Fé porque entendia que era o melhor. Mas depois de passar por uma grande aflição, ele disse que antes só conhecia de ouvir falar, mas que depois dela, sentiu na pele o cuidado do Senhor!

Diga não a qualquer tipo de manipulação! Conheça tudo e guarde o que é bom! É o que fiz e faço, e tenho achado muito bom seguir o caminho da Fé em Jesus Cristo. Posso dar meu testemunho, claro, mas prefiro que além de saber o que Deus fez na minha vida, você sinta na sua experiência de vida isso e possa dizer que é bom ouvir o que dizem, mas que você acredita não apenas porque ouviu pessoas falarem, mas porque avaliou na sua vida e sentiu que valia a pena e assumiu como sua essa opinião! Que não seja por manipulação, mas por sentir na vida, que você creia!


Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Eu voto em Marina!

Olá!

Estou escrevendo meu post inaugural um tanto inquieto diante do que li sobre a "mudança de voto" do Pastor Silas Malafaia! Não que eu queira aconselhar qualquer pessoa a votar em qualquer outro candidato. Longe disso! Minha inquietação é em cima do que li em sua carta "NÃO VOTO MAIS EM MARINA E DIGO POR QUÊ"

Para ler essa carta, você pode clicar aqui.


Eu preciso pontuar algumas coisas que foram a causa da minha inquietação diante da leitura:

1) Marina disse que pessoalmente ela é contra aborto e maconha. Ela não dissimulou, pastor Silas Malafaia! Ela disse que é contra! Para definir a verdade, o que deve ficar claro é que ela, apesar de se dizer pessoalmente contra, entende que um plebiscito deve ser convocado para a definição da situação. Mas é necessário fazer o registro que ela disse que é contra! E mais: ela disse isso desde o começo da campanha! Não disse apenas agora, mas desde o começo! O amado não estava acompanhado desde o início?

2) Ao fazer um plebiscito, aí sim o povo poderá ter todas as devidas informações! Quando aconteceu o plebiscito sobre o desarmamento, as pesquisas davam conta que a aprovação seria definitiva e categórica. Se foi o melhor caminho ou não, depois da discussão e da apresentação dos fatos de ambos os lados, a lei não passou como se queira originalmente. Ao "jogar para a torcida" como o amado pastor disse, ela estaria dando muito mais responsabilidades para nós, para fomentarmos a discussão, levantarmos os argumentos sociais, morais e no nosso caso, também os religiosos e de fé, sobre o assunto! E o próprio amado teria mais chance de ajudar na conscientização do povo, principalmente pelos meios de comunicação!

3) Como escrevi no primeiro ponto, ela se disse pessoalmente contra. Isso é ser radical em sua vida cristã. Agora, ao liderar uma Nação (que é diferente de liderar uma igreja, e ainda assim, alguns enfrentam problemas com pensamentos diferentes), é preciso cautela. Entendo que ela está sendo "simples como uma pomba e astuta como uma serpente" (Mateus 10.16) no "meio de lobos". Ela tem sua posição definida, mas precisa que todos "comprem" a ideia de sua posição na presidência para, daí, ouvir o próprio povo em assuntos delicados, que não serão decididos simplesmente por pessoas de fé, mas de todos os lados e todas as direções da sociedade, que é para quem ela governará se eleita.

4) Ela disse que é contra. Se o amado pastor diz que ela devia dizer isso, ela disse! Logo, não se justifica essa reação, a não que se quisesse que ela definisse por decreto essas coisas. Porque ela disse com todas as letras que ela é contra essas coisas, mas que tem que conversar com a sociedade, pois o assunto envolve muito mais coisas que apenas a posição pessoal de fé e moral. E como escrevi, esse seria o momento de aqueles que são contra, abrirem o debate, permitindo uma conscientização da sociedade. É claro que isso abriria a chance de outros que apresentam posição diferente também falarem, mas seria como no caso do desarmamento: se a decisão foi certa ou errada, não entro no mérito. Mas sem a conversa, as pesquisas davam conta de uma direção (com mais de 85% inicialmente) e depois das conversas, o resultado foi outro.

5) Quais são as raízes petistas nesse caso? Seria muito importante o amado esclarecer este ponto!

O amado deve votar em quem entender que deve votar e ponto! Mas as razões que o amado apresentou não são fortes o suficiente para uma mudança de voto, porque, infelizmente, mostra falta de conhecimento de tudo o que a candidata já afirmou. E desde o começo!

Ela tem posição contrária. E eu também! E como ela, entendo que devemos fazer o plebiscito sim, para uma maior conscientização da sociedade. E nós teremos que trabalhar nessa direção. Até porque, mesmo que não se faça a opção por isso, alguma movimentação popular como no caso da "Ficha Limpa" pode surgir a qualquer momento e o assunto entrar na pauta, quer seja decisão do presidente (quem quer que seja) ou não, com a mídia a favor ou contra. E talvez, se tiver um clamor popular antes, não seja tão simples fazer o trabalho de conscientização depois...

Se o amado entendeu que deve deixar de votar na Marina porque ela tem posição em cima do muro, lamento, mas isso é injustiça! Porque se o amado ouviu ela falando do plebiscito, deveria ter ouvido o que ela disse antes, falando que pessoalmente ela é contrária. E se o amado nem ouviu nada, mas foi por alguma informação que chegou a esse entendimento, quem informou não revelou tudo! Ela é pessoalmente contra, mas entende que a sociedade precisa discutir de forma madura o assunto, para que não seja apenas uma decisão tida como religiosa e fundamentalista, mas fundamentada na ampla discussão que será realizada caso tenha mesmo tal plebiscito, permitindo que nós possamos dizer que somos contra por questões de fé, questões morais, sociais e todas as razões porque somos contra, não apenas por opção religiosa. E, insisto, ela ser a favor ou não de plebiscito, não muda o fato de que a sociedade pode se organizar e como foi com a "Ficha Limpa" encaminhar questão. Esquecer dessa possibilidade, é ser minimamente informado sobre as possibilidades. A mobilização popular pode ser aliada ou ir contra a decisão de um governante. Não levar isso em conta é ser muito ingênuo!

Espero que o amado, que tem muito mais visibilidade que eu possa ler este texto e fazer os ajustes necessários. Não no voto, porque o amado pode votar em quem quiser votar! Mas na visão errada de que Marina está em cima do muro, porque tal visão é injusta e não se confirma com as falas da Marina desde o começo, principalmente em debates, como os promovidos por Redes Católicas e o da Rede Record, onde ela disse que pessoalmente é contra, mas entende que a sociedade precisa conversar sobre o assunto, ser mais informada e decidir. E não esqueçamos que mesmo que ela não queira (ou qualquer outro governante também não queira), a mobilização popular pode levar a tal, talvez nos dando menos tempo e espaço para discussão e conscientização. O Congresso pode votar e, mesmo que haja veto, o veto pode ser derrubado! Logo, ela não está em cima do muro! Ela é contra!



Forte abraço.
Em Cristo,
Ricardo, pastor
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